#Chapada: Fazenda Matos em Mucugê se destaca pela sustentabilidade implementada por Agrônoma e Cafeicultor

 

 

 


Tadeane Pires Matos é agrônoma e trabalha na Fazenda Matos, propriedade da família, em Mucugê, região da Chapada Diamantina. Hoje, ela e os pais atuam na cafeicultura baiana e, apesar dela já ter nascido em meio aos pés de café, o surgimento da família Matos coincide com o período áureo de extração de diamantes da Chapada e que era ainda bastante comum na região, no século passado. Mas, com a chegada do café no Brasil, seus avôs se interessaram pelo grão e começaram a produzir. Na época, eles também se tornaram “atravessadores”, que são as pessoas que compram e revendem. E é deles que Tadeane sente saudade.

“Além de produtores de café, [meus avôs] foram os primeiros atravessadores de café e o que eu sinto saudade é justamente deles enchendo uma picape de café, indo nas roças dos pequenos agricultores e facilitando essa compra e venda. O almoço e o café depois do almoço são uma das coisas que eu mais sinto falta dele [avô paterno que já faleceu].”

Devido à infância em meio aos pés de café e à influência da família, a jovem Tadeane não teve dúvida e optou pela Agronomia para se dedicar integralmente ao negócio da família. Hoje, ela divide com os pais a administração do negócio rural e a maior preocupação deles é produzir grãos de qualidade. Tanto que foi por conta disso que, em 2018, o café da Fazenda Matos ganhou o segundo lugar em uma premiação dos Melhores Cafés do Brasil.


“A gente quer oferecer para as pessoas um café que elas possam sentir e mudar um pouco o conceito de café amargo ou café preto e sim um café gostoso, saboroso, que ela vai sentir a fruta e, principalmente, que vai sentir toda a nossa história, toda a nossa luta, porque ser agricultor não é fácil. E o que eu tô fazendo hoje? Valorizando toda a história da família, toda história da região, incrementando café de qualidade com a própria marca da gente e sendo um exemplo para toda a região para que isso se expanda. Porque eu acredito que quanto mais pessoas estiverem fazendo o que eu estou fazendo, melhor vai ser para mim e melhor vai ser para todos, porque a gente passa a ser reconhecido e valorizado. Então, o nosso produto passa a ter valor agregado, não de valor financeiro, mas sim o valor das pessoas perceberem toda a história que há além de uma xícara de café.”
A Fazenda Matos se destaca não só pela história e pela qualidade do café, mas também pela sustentabilidade. Tadeane ressalta a importância de iniciativas sustentáveis, tanto que, hoje, não são usados defensivos agrícolas no cultivo, há uma reserva natural de mata na propriedade e foi construído um tanque com peixes, cujos dejetos são usados como adubo para a plantação. Além disso, há um projeto de usar a energia solar para abastecer a propriedade ou até, tornar o local totalmente autossustentável no quesito energia. Ou seja, são diversas as ações implementadas pela família para garantir o equilíbrio entre a produção agrícola e o meio ambiente e que foram implementadas pela cafeicultora depois da faculdade.

“A educação é a base para mudança, para mudança cultural, para tudo. Então, quando a gente sai para estudar, é um processo de abrir a sua mente para entrar em contato com as outras pessoas, entrar em contato com a tecnologia, porque a tecnologia é humana, os seres humanos são inteligentes e só querem melhorar o sistema. A agronomia serviu e serve até hoje para você tentar diminuir os custos de produção e ter maior produção com qualidade. Então, tudo o que é conhecimento, independente de ser agrônoma ou não, facilita tudo ao redor. Hoje, além de ser agrônoma, eu sou barista e degustadora de café. Tudo isso faz você entender mais o que você tem. Se você conhece e entende, você melhora e você só consegue melhorar, se você conhecer. Se você não conhecer, você vai ficar estagnado. Então, eu falo que se você quer melhorar sua qualidade de vida, tem que ter estudo e o financeiro é consequência. Tudo é uma consequência, se você faz bem, você vai ter o retorno futuramente.”


Mas, o café da família de Tadeane não seria premiado se não houvesse qualidade, sustentabilidade, tecnologia e amor. A tradição da família, a infância ao lado dos pais e avós, a convivência em meio aos pés de café e o apego à roça fizeram com que ela amasse o seu ofício. Tanto que, ao ser questionada sobre o quê que a Bahia tem, ela responde de forma sincera e enfática: “amor”. E completa que quem faz no agronegócio:

“Não pode ter medo, tem que acreditar, fazer as coisas da forma mais justa possível e, principalmente, carregar no amor, porque o fazer é fazer com amor. E fazendo com amor, há retribuição no futuro. E não desistir jamais, porque se a gente desistir, a gente nunca vai parar. No que depender de mim, não vou desistir, porque eu quero ver meu café conhecido no Brasil todo talvez ou até no mundo. Então, eu não vou desistir dele.”
//Do g1

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