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sábado, 4 de setembro de 2021

Diagnosticada com câncer, mulher manifesta indignação após Prefeitura de Jussiape negar transporte

 


Amélia Silva Jardim, diagnosticada com câncer de mama, teve a palavra concedida na Câmara nesta sexta-feira (03), pelo presidente Raul de Cássio (PSD) após o vereador Felipe Souza (PSB) ceder sua fala para que ela pudesse manifestar sua indignação com a forma que vem sendo tratada pela gestão municipal.
Desde janeiro de 2021, Amélia Jardim afirmou que a Prefeitura Municipal de Jussiape tem negado transporte para que ela possa se deslocar até Vitória da Conquista para continuar com o tratamento do câncer. Ao tentar solicitar um transporte na Prefeitura, ela afirmou que a resposta que ouviu foi a de que não “havia carro porque estavam todos quebrados”. Amélia considera que esta “é uma questão política”.

“A Prefeitura nunca me negou um carro até janeiro”, lembra. Mas desde então oferece apenas a possibilidade de viajar em transportes coletivos que circulam na região ao ressarcir a passagem. “Foi Deus que me ajudou a transferir o meu tratamento de Salvador para Conquista”, disse. 

Amélia Jardim declarou que manteve o tratamento contra a doença na capital por quase dois anos, onde fez uma cirurgia. Ela revelou que precisou retirar um dos seios devido ao câncer. 

Disse que, durante o tratamento, já foi três vezes a Salvador de ônibus em meio à pandemia. “Você chega à rodoviária de Salvador às 4h da manhã, e para uma mulher se virar lá, que não conhece [a cidade], é difícil. Mas fui, eu precisava e não tinha carro”, explicou.

Em janeiro, segundo Amélia, uma funcionária da Prefeitura sugeriu que ela fosse de van, mesmo tendo direito ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD), benefício oferecido às pessoas que necessitam de atendimento médico especializado de média e alta complexidade não disponíveis na localidade de domicílio. “Com aquela pandemia toda que estava, eu disse: ‘de van eu não vou porque eu tenho imunidade baixa’”.

Amélia disse que teria uma consulta no dia 16 [de um mês deste ano], mas conseguiu antecipar para o dia 9, já que teria companhia para não viajar só. Ela afirmou que entrou em contato por mensagem com uma funcionária da Prefeitura. No entanto, a mesma funcionária não visualizou suas mensagens, alegou Amélia. “Ligo, ela recusa as minhas ligações. Eu não estou maltratando ninguém, eu estou falando a verdade. Eu tenho provas. Passo mensagens, ela não visualiza nem responde”, desabafou.

Com uma consulta marcada para o dia 13 de setembro deste ano, Amélia disse que entrou em contato com a funcionária responsável pela marcação no dia 23 de agosto e chegou a enviar toda a documentação comprobatória. “Eu liguei quatro vezes, ela recusou. Liguei do fixo, mas ela não atendeu”, disse.

Amélia informou que foi à Prefeitura de Jussiape com uma moto fretada. O valor do frete da moto da Várzea, comunidade rural onde mora, até a cidade é de R$ 30. “Quem está em tratamento tem condições de pagar direto R$ 30, gente?”, questionou.

“Eu não tenho dinheiro para pagar um carro, gente. Um carro lá de casa para aqui custa R$ 100. Onde é que eu tenho dinheiro para pagar toda vez assim?”, perguntou.

Nesta sexta, ela disse que retornou à Prefeitura, no entanto, não conseguiu a disponibilidade de um transporte para sua consulta em Vitória da Conquista. Amélia, que afirmou já ter movido uma ação contra a Prefeitura de Jussiape, direcionou a sua fala para os vereadores durante a sessão. “Eu não estou atrás de Prefeitura, de secretário, não. Eu estou atrás do meu direito. Eu sou cadastrada no TFD. Eu não estou atrás do que é de ninguém, não”, declarou.

“Eu acho que todo mundo sabe o que é um câncer. Você está doente e é humilhada, não é fácil, não. Eu estou aqui dando o meu depoimento com a força de Deus. Eu não tenho pai e não tenho mãe. Mas tenho Deus e meus amigos por mim”, disse emocionada.

A mulher revelou que em uma das suas viagens a Salvador para tratamento chegou a ficar sem fazer necessidades fisiológicas devido ao medo de se contaminar com o novo coronavírus. “Eu fui a Salvador, naquela pandemia, para passar na mastologista. Eu saí daqui, fiz xixi em Jussiape, na casa de Petty, e fui fazer no outro dia, quando eu voltei. Por quê? Com medo. Quem é que não tem medo dessa Covid?”, relatou.

Amélia ainda disse como se preveniu nesse período contra o vírus. “Eu levei um frasco que Qboa, saí da ambulância, entrei no Hospital da Mulher em Salvador. Quando saí do hospital, eu tirei meus sapatos e passei a Qboa na sola do sapato”, revelou.

“Eu chego ao hospital e passo o dia inteiro em pé. Porque eu tenho que me prevenir e minha família. Então, eu estou pedindo a vocês, encarecidamente, que me ajudem porque eu não tenho mais o que fazer. Só está nas mãos de Deus e de vocês”, apelou.

“É direito meu e dever da Prefeitura ou de quem for. Estou certa? Agora, quem achar que eu estou errada que se manifeste”, finalizou.
Fonte: jussiup.com.br

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