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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Historia de Edgar, fundador da Viação Novo Horizonte

 



Foto: Reprodução l Blog Fábio Sena

Edgar Abreu Magalhães ,nasceu em Cachoeira, distrito de Água Quente, município de Paramirim. Em 1962, esse distrito foi emancipado recebendo o nome de Érico Cardoso em homenagem ao político da região que já tinha sido prefeito em Paramirim, e que foi escolhido o primeiro  do novo município.

Filho de Manoel Magalhães  e Flávia Abreu Magalhães , seu pai faleceu muito cedo. Feirante trazia rapaduras para vender na feira de Paramirim e dormia no carro de bois nas praça da Igreja ,costume de vários feirantes naquela época. Teófilo Abreu ,seu irmão mais velho, se formou em magistério no colégio de Caetité e como e como tinha apenas 17 anos esperou completar a maioridade para lecionar . Com a morte do progenitor, coube a ele Edgar a tarefa de vender as rapaduras. Chegando em Paramirim na sexta-feira, véspera da feira, estacionaram o carro de boi juntos ao outros conhecidos e foram pedir ao tio abrigo para dormir em sua casa.

-Seu  pai sempre dormia no carro e vocês vão dormir lá também. Então saíram cabisbaixos atendendo a recusa do tio.

Teófilo foi professor, e diretor da Fundação 16 de setembro ( Colégio de Paramirim ), e quando se aposentou foi gerente da Viação Novo Horizonte em Salvador, até sua morte. São de Nove irmãos : Elvira ( Neném), Teófilo, Aprígio ( Sinhó), Arlindo , Edgar, Chico, Dulce, Juca e Manoel Flávio (Né). Desses. Quatro já foram morar com o Pai Celestial. Juca primeiro, ainda jovem 60 anos de idade. Todos seguiram a profissão do Mais velho, Teófilo, dentista prático, excerto o Juca que formou-se em odontologia. Como Paramirim não tinha campo para essa profissão, pois tinha outros profissionais do ramo. Edgar veio trabalhar em Novo Horizonte e morar na casa de Antônio Teófilo ( Toe de Zeca) e sua esposa Ana, que tratava como um filho. Fez grandes amizades na região, mais seu melhor amigo, sem sombra de dúvida, era Osvaldo Gomes, mais conhecido por Filinho de Nêga, hoje mora no estado de Goiás, mas sempre visita seus parentes e amigos em Ibitiara, Novo Horizonte e Brejo Luiza de Brito

Depois de um certo tempo ele contratou o garimpeiro Mundara, que morava na zona rural em Queimadas, como “ meia praça uma espécie de sócio no garimpo onde o contratante fornecia a “feira", ou seja os alimentos básicos: feijão, farinha, arroz, carne de sol ou charque, toucinho e rapadura, com promessa firmada de dividir o dinheiro da venda das pedras. Esse costume é mantido até hoje na extração do cristal de quartzo rutilado de valor bem maior.

Edgar ( divertido, alegre e brincalhão) logo recebeu o apelido de Diga, comprou logo um animal para montaria alto com pernas listradas que recebeu o nome Burro Pernas de Zebra, que lhe conduzia para o garimpo, festas e outros lugares. Esse animal veio para lhe trazer sorte. Mandara bamburrou e extraiu muitas pedras que eram chamadas cristal de Lâmpada ou cristal de rocha. Primeiramente, essas pedras foram negociadas com Zequinha Mateiro por muitos contos de réis ou mil réis, sendo dividido o dinheiro entre patrão e empregado. Naquela época, a maior cédula era de mil reis. Edgar começou a contar o dinheiro bem devagarzinho para dar ao sócio sua parte.

- Um, dois, três, tudo seu Mundara... quatro, cinco, seis , sete...

- Chega Diga, Chega Diga, Chega Diga!


Edgar combinou com o comprador para levar levar as mesmas pedras para vender no Rio de Janeiro e dividir o lucro. Dizem que foram vendidas muitos mil contos de réis e da Cidade Maravilhosa ele foi para São Paulo onde comprou um caminhão Chevrolet Brasil Zero Km. Depois comprou mais um e ingressou no ramo de transportar passageiros para Monte Azul/Minas Gerais –o famoso “ Pau de Arara”, onde os caminhões tinha armação de lona com bancos de madeira e levavam até 50 passageiros e de Monte Azul seguiam de Trem de Ferro para São Paulo.

O Saudoso cantor e compositor Belchior, falecido, disse certa vez “ O nordestino quando não desce para São Paulo sobe para São Pedro!”

Um dos caminhões também transportava lasca embaladas em sacos de palha de coqueiros para o Rio de Janeiro.

Edgar virou caminhoneiro, abandonou a profissão de extra a profissão de extrair dentes e fazer dentaduras e trouxe de Paramirim um dentista de nome Henrique, para treinar seu irmão Chico, novo na profissão ,que tão logo chegara a Novo Horizonte recebeu o nome de Chico de Edgar.O irmão recebeu de presente o gabinete dentário com o imóvel e um bar na praça da feira, com mesa de snooker  de 7 bolas, geladeira à querosene ( a primeira e única do lugar)que só era ligada sendo desligada no domingo, para vender refresco de limão, abacaxi, groselha, pequi e picolé na forma que chamava “Abafa Banca” quentes: cachaça pura do alambique de Sr. Henrique Lopes do Costa, Dreher, Vodka, Cinzano, Martini, Vermute, Fogo Paulista e um vinho 3 Coroas produzido em Novo Horizonte mesmo, na fabrica de bebidas Novo Horizonte de Braúlio José Lopes.

Edgar já estava com dois Caminhões carregando passageiros, um dirigido por ele mesmo e o outro por Isaias, depois João Pedro, Nenzinho e Arnaldo de Seu Casuza, Todos amigos dele de Paramirim.

No início dos anos 60 um ex-motorista de taxi, conhecido por Arlindo do Sobrado, pois nasceu no distrito de Remédios. Com dois sócios de São Paulo registraram a linha de ônibus São Paulo a Novo Horizonte, com apenas dois veículos usados que logo colocaram a venda pois os carros começaram a dar defeito, pois o trecho de 320 Km de estrada de Vitória da Conquista a Ibiajara ainda era chão. Edgar vendeu os caminhões ,uma boa propriedade agrícola ( vizinha a seus tios Juca e Donana em Santa Luzia) uma casa em Novo Horizonte, e um prédio de dois andares em Paramirim. Assim comprou a parte dos sócios do Arlindo e depois outra parte. Com muita fé em Deus, garra, determinação, humildade e as orações de dona Flávia, a Viação Novo Horizonte Ltda.

Certas pessoas nascem para servir, fazer o bem e tratar o próximo como a si mesmo. Por tudo isso. Hoje, é uma das grandes pessoas iluminadas e abençoada por Deus Por tudo isso. Edgar sempre foi e será uma pessoa iluminada e abençoada por Deus. Hoje é um dos grandes empresários do nosso estado. Gerando Emprego e renda para milhares de pessoas, não somente no setor rodoviário como também agrícola, pecuária, concessionárias de veículos, postos de combustíveis, etc, e o mais importante nunca esqueceu suas origens e continua tratando a todos com atenção, carinho e respeito.

Esse é um homem Edgar, simples, evangélico, exemplo de vida . De vendedor de rapaduras na feira de Paramirim tornou-se um altíssimo empreendedor.

No entanto, um mistério permanece, e por isso fica a minha pergunta: por que a numeração dos diversos ônibus da Viação Novo Horizonte sempre terminam com o número 11?... eis a questão.

História do Livro escrito pelo o Professor Laércio Fernandes Santos, Novo Horizonte. Espelho do Passado e outro Causos


Fotos: BLOG DO ANDERSON

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