menu

connecta

connecta

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Morre Ivo Borré um dos principais agricultores da Chapada Diamantina


Com o passar dos anos, virou referência em produção de batata inglêsa e cafés especiais. O patriarca da família Borré parte prestes a inauguração do novo empreendimento da família, a vinícola Uvva, que chega acompanhada de um hotel e restaurante em Mucugê, Bahia.

Conheça a história de Ivo Borré

Por Georgina Maynard

Era verão quando o agricultor Ivo Borré chegou à Chapada Diamantina naquele final de 1984. A região aos pés da Serra do Sincorá havia acabado de registrar volumosas chuvas. O sertão, então verde, lhe pareceu um lugar ideal para o plantio de cereais.

Ele e o pai, Pedro Hugo Borré, traziam na bagagem a tradição da soja, trigo e milho que a família tinha aprendido a cultivar no sul do Brasil. Os dois seguiam a onda de migração agrícola que levou muita gente a buscar novas oportunidades no Centro-Oeste, Nordeste e Norte do país entre os anos 80 e 90.

Naquele período muita gente deixou a terra natal em direção a cantos remotos do Brasil na esperança de encontrar prosperidade.


Há dois anos ele Ivo Borré recebeu o Título de Cidadão Baiano, horaria da Assembleia Legislativa da Bahia
Caminhoente na negociação

Com poucos recursos, os Borré tiveram que acrescentar uma velha caminhonete da família na negociação para conseguir adquirir as terras entre os municípios de Mucugê e Ibicoara. Logo plantaram soja.

Mas o que deu certo em outras fronteiras do Brasil não se repetiu nas planícies da chapada. As primeiras tentativas da família foram frustradas e a soja não brotou. O mesmo aconteceu com a plantação de feijão, cultivada em sequeiro e sem tecnologia. Além do clima não ter favorecido o cultivo de grãos, os agricultores ainda enfrentavam a falta de infraestrutura.

“O sentimento era de estarmos conhecendo ainda uma parte do Brasil colonial. Não havia telefone, televisão, energia elétrica, as estradas eram de terra e o isolamento era grande. O maior desafio naquele momento era acreditar que este panorama poderia ser mudado, que valia a pena investir e que o trabalho poderia alterar aquele cenário”, conta o agricultor.

Apesar das dificuldades, a família nunca desistiu e jamais pensou em voltar para o sul.

“Nunca deixei de acreditar no potencial do que estávamos fazendo. Logo após nossa chegada outros forasteiros também se instalaram na região. Criamos muitos vínculos de amizade com belíssimas pessoas da comunidade local. Estas relações nos encorajavam, davam força”, completa.

Investimento na batata inglesa

Quase cinco anos se passaram até que a família decidiu arrendar uma parte das terras para um grupo de japoneses. Os arrendatários chegaram dispostos a investir na plantação de batata inglesa.

O cultivo deu certo. Um ano depois, ao receber as terras de volta, os Borré também passaram a plantar batata.

O primeiro plantio foi realizado inclusive com a sobra do legume deixada no solo pelos japoneses.

“Eles trouxeram novas culturas, mais tecnologia, conhecimento e profissionais muito capacitados. Após a colheita deles, restou em nossa propriedade um saldo de batata no solo que resolvemos plantar em 1,8 hectares. A partir daí a batata se tornou o nosso principal negócio, e a área plantada começou a dobrar a cada nova ciclo”, conta.

De lá para cá, a Fazenda Progresso não parou de inovar, investir em tecnologia, qualificação de mão de obra e novos cultivos.
Via: Se Liga Chapada

Nenhum comentário:

Postar um comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do PORTAL INÚBIA.

MAIS LIDAS DA SEMANA